domingo, 23 de agosto de 2009

CUA BARRIGA CHEIA DE... CULTURA!


Ontem o dia foi pleno. À seca de andar às compras de torneiras e candeeiros, para acabar a reforma em casa, seguiu-se um rápido almoço, servido num sítio onde, não fosse a proximidade ao apartamento onde estamos a viver durante estas semanas de obra, nunca teríamos entrado. Isto, obviamente, faz-me pensar na importância que tem o PR, isto é, saber anunciar-se e tornar-se apelativo. Nos tempos que correm, em que toda a publicidade dos media visual vem carregada desse "erotismo unilateral" (como o definia ontem mesmo o meu amigalhaço - muito mais que amigo - e ex-companheiro de estrada, António Pinho Vargas) e que supõe que o "bom-bom" que anuncia a máquina de manutenção muscular, por mais que se me insinue desde dentro do plasma, nunca vai estar ao alcance dos meus "dentes". Ou seja que de interactividade. nada.
Pois aquele restaurante, com aspecto misto de cafetaria de aldeia, pizzeria de praia ou tasca galega sem carácter, era a prova mais que evidente de que o povo dita com sabedoria: As aparências iludem.
O guisado de escabeche de tronco de atum que servem no "Cáscaras" era realmente uma delícia como poucas. E barato!
Antes que se fizesse tarde, rumamos ao sul e, passado o rio Minho, lá estávamos em Cerveira em plena Bienal de Arte e em dia de feira. Duas pelo preço de uma, não se podia pedir mais.

Ao contrário do Cáscaras, mas desmentindo o ditado, a Taberna do Cais (nas fotos), na zona velha, a chegar ao rio, é um local privelegiado para tomar um bom fino de Dominus e uns tremoços, para depois empreender caminho até ao Largo do Município.
Aí foi quando deparamos com o cartaz que anunciava o recital de Pinho Vargas no Auditório Municipal. Como é óbvio, não ia perder esta oportunidade de ver o António, depois de muitos anos de desencontro. Abusando da minha condição de "figura pública" (assim me chamaram no Bom Dia Portugal) lá consegui que nos infiltrassem no Sound Check e que ainda passássemos uns agradáveis momentos com o pianista.
A tarde continuava quente e a vila fervilhava de turistas, feirantes e visitantes da Bienal. Nós lá fomos em busca de mais experiências. Duas exposições mais tarde, dirigímo-nos ao centro e, na esplanada da Adega Real, uma mesa reservada com antecedência e uma "pá" de cabrito esperavam por nós. Indescritível sem deixar nódoas de baba.
Às 10 em ponto estávamos sentados na 5ª fila do Auditório, ao ar livre, com uma temperatura mais que agradável e o concerto teve início.
Excelente recital, som impecável. António Pinho Vargas no seu melhor como executante. A testemunhá-lo, a ovação de uma casa cheia, de pé, antes e depois de um merecidíssimo "encore". Um som cheio, harmonicamente rico e excitante. Entrecortado pelas apresentações do artista, com esse toque de humor que reconheço desde há 40 anos.
Fica uma pequena amostra captada "à socapa" com o telemóvel, do tema Tom Waits.



No fim, o encontro com managers e produtores (alguns velhos conhecidos) e mais uns agradáveis momentos antes de por rodas ao caminho em direcção a Vigo.

1 comentário:

João Médicis disse...

Grande pianista, grande compositor. Excelete tema também.

Um abrassom

J