Morreu Saramago e com ele uma parte deste Portugal que há séculos se debate entre a vida e a morte, entre o ser e o parecer. Com ele morreu uma parte da Ibéria, ou da Hispánia se preferirem. Sem ele, hoje, o mundo está mais pobre.
Saramago amava a sua terra, o país onde nasceu e acreditava que o mundo podia ser melhor, mesmo quando os que agora se apressam a improvisar solenidades e funerais de estado, lhe voltaram as costas e desautorizaram a escrita. Saramago amava profundamente a sua língua, que era, no fundo e verdadeiramente, a sua pátria. O homem que fez mais pelo reconhecimento universal da língua Portuguesa do que Camões e Pessoa juntos (perdoem-me a heresia os que pensam que o é) teve que exilar-se, qual Gladiador, em Lanzarote e, desde aí, continuar a fazer-nos chegar o seu pensamento.
Humildemente queremos deixar aqui a nossa homenagem, mais que ao escritor e prémio Nobel, ao homem, ao pensamento, ao carácter.
Saramago, descansa!
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sábado, 19 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Saramago fechou o blog
José Saramago, escolheu o dia de ontem para deitar o ferrolho (temporalmente espero) ao seu blog. O mesmo blog que serviu para uma colectânea de "posts" a que deu o nome de "O Caderno". Curiosa coincidência, ontem mesmo, 31/08, terminei a sua leitura. Ler O Caderno foi, durante aproximadamente uns 10 dias, como ler o jornal de ontem, o de hoje e o de amanhã. Está tudo lá, só que exemplarmente escrito. Estão todos lá, com precisão descritos. Nesses "instantâneos", Bush, o Papa, Aznar, Sarkozy, os Israelitas genocidas de hoje, os judeus massacrados de há 70 anos, alguns políticos sérios, os banqueiros, a gente boa e a gente menos boa, não têm retoques. Estão tal e qual a lente do "olho sensível" do escritor os captou. E como não lhe tremeu a mão, ninguém saíu desfocado.
Enquanto espero que o reabra, vou viajar com o Elefante. Quem já leu disse-me que não tem perda.
Enquanto espero que o reabra, vou viajar com o Elefante. Quem já leu disse-me que não tem perda.
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