quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O VOTO ÚTIL

Levo um par de dias em profunda introspecção, estagnado na dúvida entre escrever este “post” em Português ou em Nortense. É que a gravidade do evento que se aproxima, justifica plenamente escrevê-lo na Língua Mãe, não só para manter o grau de seriedade que transbordou dos debates políticos, em alguns casos esmiuçados por alguns dos membros desse providencial Governo Sombra, mas até como forma de afirmação reivindicativa da vigência prática de um idioma que, mesmo antes da sua desejável oficialização – recorde-se que o Mirandês já é a segunda língua oficial do Estado Português – serviria como pontapé de saída para, durante o debate sobre a regionalização que se impõe, demarcar, logo à partida, uma determinada identidade cultural, porventura geograficamente adjudicável.
Por outro lado, devo reconhecer a necessidade de globalizar a influência deste blog e, talvez por isso, haja decidido escrever em Português, o mais académico possível e em total observância das regras anteriores ao acordo ortográfico.

Estamos a 3 dias 3 das eleições legislativas e, como ocorreu nas europeias, só tenho ouvido povo que diz não estar informado, interessado ou pior, minimamente motivado para cumprir com um dever e um direito que nos concerne a todos e cada um dos cidadãos que contribuímos solidariamente para a comunidade. Há uns anos atrás, não me teria outorgado esse direito, ainda que o tivesse plenamente, pela simples razão de não viver nem contribuir , mas há uns anos que as coisas mudaram e, se durante 2009, nem o Estado nem eu contribuímos mutuamente a “grande escala”, em 2008 a coisa não foi assim e isso dá-me o direito e confere-me o dever de, pondo o meu grãozinho de areia, interferir no seu (nosso) futuro.
Por isso, fica já aqui assente que no Domingo eu vou votar.
Tenho ouvido os foros de TSF, no “louro” do “bote” (perdão, no radio do automóvel – actos falhados do bilinguismo), a malta da rua, os amigos, os companheiros Trabalhadores (do Comercio), ou simplesmente algum cidadão descontente no balcão de uma loja ou do café – aos motoristas dos táxis não lhes faço puto caso, pois ouvem a pior rádio e são sempre do contra – e sinto a depressão (dessa gente), o desinteresse e isto, no fundo, é o que é verdadeiramente aterrador. E penso que os políticos em Portugal, tão preocupados com “o mal que a coisa está em Espanha” não tem feito um grande esforço para esclarecer o pessoal no verdadeiro sentido das suas opções e menos ainda sobre as suas (dos políticos) intenções de cumprir o que se lê nos respectivos programas eleitorais.
E eis quando abro o nº12 do semanário Grande Porto e leio um artigo de opinião do Mário Dorminsky. Vale a pena a leitura, porque este rapaz, da “minha quinta”, que tem dado mais que provas de competência na sua área, tem sem dúvida os pés bem assentes no relvado. A tal ponto que, referindo-se ao nivel dos debates televisivos, esgrime como possível resposta do eleitorado o voto em branco como sendo “um voto de importância relevante. Um voto de todos aqueles que não ACREDITAM neste Portugal.”
Eu diria mais: Ainda que tal seja o grau de indecisão ou de desinformação, não temos o direito de ficar estendidos no sofá, indiferentes. Se queremos que algo mude, temos que exercer responsavelmente o nosso dever cívico. Votemos TODOS em BRANCO. Não passemos cheques “em branco” para que alguns se outorguem uma maioria e uma representatividade que, realmente, não têm, nunca tiveram, nem vão ter.

VOTAR em BRANCO: o verdadeiro VOTO ÚTIL


Sergio Castro, em Vigo (da varanda sobre o jardim...)

Sem comentários: